fbpx

Em vez de ler, que tal assistir ao vídeo?

 

Sumário do Curso Completo

 

1º módulo: Tirando o Sonho do Papel 

2º módulo: Divulgando a sua Transportadora 

3º módulo: Encantando seus clientes 

4º módulo: Gerenciando a Operação 

5º módulo: Financeiro e Fluxo de Caixa 

6º módulo: Indicadores no Transporte 

 

Imagine que você abriu sua transportadora, começou a divulgar e aí apareceu um cliente interessado em contratar seus serviços. Excelente! 

Então, ele te pede um orçamento para transportar até a Bahia. E aí, quanto você vai cobrar? 

Pois é… antes de divulgar a sua transportadora, é muito importante já ter definido uma base de quanto você vai cobrar pelos seus serviços. É isso que chamamos de tabela de frete.

Essa é mais uma aula do nosso curso “Começando Certo” para transportadores de carga. Estamos começando hoje o segundo módulo que é “Divulgando a sua transportadora”.

No primeiro módulo, explicamos tudo o que você precisa saber para abrir a sua transportadora e tirar o sonho do papel. 

Nessa aula, vamos dar dicas importantíssimas para você montar a sua tabela de fretes de forma inteligente e cobrar um valor coerente com o mercado e que, principalmente, gere lucro no final do mês. 

 

Tabela de frete lotação

Vamos começar falando sobre como cobrar o frete na carga lotação, conhecida também como carga dedicada ou fechada.

No caso do transporte de carga lotação, uma boa forma de ter uma noção de quanto cobrar de frete é usar a Tabela de Frete Mínimo da ANTT.

Muita gente torce o nariz para essa tabela de frete mínimo, achando que é uma ameaça à livre concorrência. Mas, a tabela existe e é lei, então temos que trabalhar com base nela.

Como o nome já diz, a tabela sugere o valor mínimo que deve ser cobrado em determinado trajeto, e nada impede que o transportador cobre acima desse valor. Inclusive, a recomendação é justamente essa, agregar valor ao seu serviço para conseguir margens de lucro maiores. 

Vou dar um exemplo:  

Na tabela de frete mínimo não é mencionado sobre gerenciamento de riscos, paletizações, escolta ou outros serviços especiais. 

Estes serviços, se bem executados, podem ser o diferencial da transportadora, além de aumentar a lucratividade. 

É mais ou menos assim: compare o piso mínimo de frete com o salário mínimo. Anualmente, o governo atualiza o valor do salário mínimo que deve ser praticado em todo território nacional. E isso não significa que todo trabalhador vai receber o mesmo salário. O salário das pessoas varia de acordo com a área, ocupação, experiência e até mesmo a responsabilidade que o cargo exige. Então, o salário mínimo é uma regra para garantir o mínimo para o trabalhador.

A tabela de frete mínimo também segue essa mesma lógica. Ela estabelece um piso mínimo para garantir que o transportador rodoviário de carga não receba valores menores que o custo. 

Mas ele pode, e deve, cobrar um valor acima da tabela, prevendo o seu lucro e cobrindo outros gastos que devem ser repassados para o cliente.

Bom, tendo esse conceito claro, como fazer para calcular esse valor mínimo de frete e como compor o seu preço final?

Primeiramente, para calcular o frete mínimo você vai precisar das seguintes informações:

  • Tipo de carga;
  • Distância que será percorrida;
  • Número de eixos carregados do veículo.

 

Depois, você precisa consultar na tabela de frete mínimo vigente qual é o custo mínimo por eixo na faixa de quilometragem.

Por exemplo, de acordo com a tabela de Setembro de 2020, para transportar uma carga geral, o valor mínimo que deve ser cobrado por quilômetro é R$1,95: 

 

Lembrando que a tabela de frete mínimo é atualizada 2 vezes por ano e quando há uma grande oscilação no preço do combustível.

 

E o que esse valor mínimo cobre?

Em resumo, a base da tabela de frete mínimo leva em consideração dois tipos de custos:

  • Custos Fixos: são aqueles que não estão ligados a distância percorrida e existem mesmo que o caminhão fique parado. Exemplos desses custos são os salários dos motoristas, encargos sociais, depreciação do veículo, etc.
  • Custos Variáveis: são aqueles que mudam de acordo com a distância percorrida e não existem caso o caminhão esteja parado, como o combustível, pneus e a manutenção do veículo.

 

Mas, não são apenas esses os custos que devem ser considerados na composição de preço. Há outros gastos que, por lei, devem ser cobrados do contratante, como:

  • os valores de pedágio;
  • taxas e tributos.

 

Feito isso é importante acrescentar outros serviços específicos para o cliente. É possível acrescentar carregamento e descarregamento, agendamento de entregas, estadia,TDA, TDE, etiquetagem, acompanhamento de entregas e muitos outros.

Nesse momento é muito importante observar a real necessidade do cliente. Não adianta tentar empurrar serviços adicionais se o cliente não valoriza aquele serviço. É como vender carne para vegetariano, não vai rolar.

Um serviço que agrega bastante valor é o rastreio de entregas por meio de aplicativos. Imagina quanto vale para o embarcador disponibilizar um link para o destinatário acompanhar o passo a passo da entrega.

Resumindo, você deve somar ao frete mínimo todos esses itens que citamos e os adicionais que o cliente dá valor. Aí sim você terá o valor final do seu frete.

Se você tem dúvidas de como calcular as taxas e impostos que compõem o valor do frete, temos uma playlist com vários vídeos lá no nosso canal no YouTube explicando detalhadamente para que serve, quando cobrar e como calcular cada um desses componentes. 

 

Tabela de Frete Fracionado

Agora, vamos falar um pouco sobre a tabela de frete fracionado

Essa modalidade é perfeita para transportar pequenas mercadorias, que não ocupam todo o espaço e capacidade do caminhão. 

Como já explicamos na primeira aula deste curso, a carga fracionada é aquela na qual transportamos as mercadorias de vários clientes em um mesmo caminhão e o valor cobrado é baseado no peso de cada entrega, funciona como se fosse um “rateio”.

“Como assim, rateio?” Na carga lotação, cobra-se o valor de um único cliente, já na fracionada, funciona como se pegássemos esse valor da carga lotação e dividíssemos entre todos os clientes que compõem a carga, incluindo algumas taxas dependendo da operação.

Vou fazer uma comparação. Nos supermercados que vendem no atacado e no varejo observa-se que existem 2 etiquetas com preços: uma com o preço da caixa completa e outra para o preço unitário. 

A carga lotação equivale a compra no atacado e a carga fracionada é equivalente a compra no varejo.

Partindo deste princípio, a lógica para formação do preço fracionado é pegar o valor cobrado por uma carga lotação e dividir pela capacidade do veículo, descontando a ociosidade. Assim; descobriremos o valor por quilo.

 

“Mas, o que é ociosidade?” Dificilmente o veículo sai para entrega com a capacidade máxima. Por exemplo, um truck que tem capacidade de transportar 13 mil kg pode estar carregado com 80% da sua capacidade, ou seja, 10.400 kg. 

 

13.000 kg x 80% = 10.400 kg

 

Então se o valor da carga lotação, deste mesmo truck, é de R$10 mil (para facilitar as contas) o valor por quilo na carga fracionada seria 10 mil dividido por 10.400 mil, que é igual R$0,96.

 

R$10.000,00 / 10.400 kg = R$0,96 por kg.

 

Frete peso

Depois que descobrimos o valor por quilo, é preciso decidir quantas faixas de peso a tabela terá.

A faixa de peso é uma prática do mercado para facilitar o cálculo do frete peso, tanto para quem vende como para quem compra frete. 

Para criar essas faixas não existe uma regra fixa e a dica que dou é analisar o tipo de serviço que a sua transportadora vai prestar.

Para as cargas tipo encomenda as faixas são menores e para cargas mais pesadas as faixas podem ser maiores. 

Existem tabelas em que o preço é calculado por kg e não utiliza faixa de peso, vai muito do tipo de serviço.

Olha só essa tabela de frete que foi composta por 9 faixas de peso, é tipicamente uma tabela de encomendas. 

 

A primeira faixa vai de 0 kg a 10 kg, a segunda de 11 a 20 kg, e assim por diante.

O preço do frete peso para encomendas que pesam entre 11 e 20 kg será o mesmo, então só de bater o olho sabemos o valor do frete peso.

Se sua transportadora não trabalha com entregas com pesos inferiores a 10 kg, a sua tabela não precisa ter a faixa de 0 a 10 e a primeira faixa pode ser de 0 a 20. Eliminando uma faixa a tabela fica mais simples.

Depois que determinar as faixas que você vai trabalhar é só multiplicar o valor por quilo pela quantidade de quilos da faixa. 

No exemplo que fizemos, o valor por quilo encontrado foi de R$0,96 e na faixa de 20 KG o valor do frete peso seria R$19,20. 

Dá um pouco de trabalho, mas vale a pena, pois você terá certeza de que terá lucro no final da operação.

 

Frete valor (ad valorem)

Agora vamos determinar o frete valor ou Ad Valorem.

Como já explicamos aqui no blog, o frete valor é um percentual do valor da mercadoria que é cobrado para cobrir os custos de seguro e o risco de colocar os veículos da rua.

Para determinar o frete valor da sua tabela, pegue a tabela de percentuais de seguro por região que a seguradora cobra e acrescente os impostos e uma margem.

 

Taxa de Coleta

Outra tarifa que temos que considerar é a taxa de coleta. Muitas empresas não cobram taxa de coleta à parte, porém o custo já foi incluído no frete peso. 

Antes de decidir se a taxa de coleta será cobrada a parte ou embutida no frete, é preciso saber qual o custo da coleta.

Você pode fazer as coletas com frota própria ou com frota terceirizada. Das duas formas a maneira de calcular o custo é a mesma: some todas as despesas com o veículo e motorista durante um mês e divida pela quantidade mínima de coletas que o motorista consegue fazer. 

O resultado será o custo médio por coleta. Acrescente a sua margem de lucro e os impostos e você terá o valor da coleta. 

Com esse valor em mãos você vai decidir estrategicamente qual a melhor opção de cobrança: cobrar destacado ou embutir no frete peso. 

 

Taxa de embarque (despacho)

Também é possível cobrar taxa de embarque ou taxa de despacho. Essa taxa é um valor fixo por entrega e é composta pelo custo de administração das entregas.

O custo da administração é o custo com funcionários para emitir e controlar os documentos, dar resposta para os clientes, anotar coletas, elaborar cotação, entre outros.

 

TDA e TDE

A TDA e a TDE são as Taxa de Dificuldade de Acesso e Taxa de Dificuldade de Entrega, como já explicamos em outras matérias aqui no blog.

Essas taxas devem ser cobradas à parte e devem ser analisadas caso a caso. 

Por exemplo, sua empresa foi contratada para entregar um colchão em um prédio de 4 andares que não tem elevador. Esse caso é passível de cobrança de um TDE.

Tem que ficar muito atento, pois as dificuldades podem acontecer e não percebemos. Às vezes, não temos a visão do que acontece no momento da entrega e se o motorista não falar você acaba não sabendo.

 

Pedágio

O Pedágio também deve ser rateado, e a lógica é a mesma do frete peso: pega-se o valor do pedágio para a rota e divide-se pela capacidade do veículo menos a ociosidade, obtendo o pedágio por quilo. Lembrando que os impostos não incidem sobre o pedágio.

 

Outras taxas

Dependendo da operação e da exigência do cliente, é possível cobrar outros serviços que vão aumentando a sua receita e remunerando a operação, como a paletização, descarregamento, içamento, taxa fluvial, taxa de restrição de trânsito, taxa de agendamento, taxa de armazenamento, entre outros serviços.

Se a entrega não for bem sucedida é possível cobrar taxa de reentrega ou devolução que variam entre 50% e 100% sobre o valor do frete original. 

 

Estude a concorrência

Feita todas essas análises é importante comparar o seu frete com os fretes de mercado.

Se o seu frete está acima do valor de mercado, revalide os cálculos e os custos. É importante manter a empresa saudável garantindo a lucratividade.

 

A dica para diminuir os custos é automatizar ao máximo os processos. Algumas formas simples de diminuir custos são:

  • eliminar digitação de notas fiscais para emitir CT-e;
  • reduzir controles manuais;
  • agendar entregas para evitar retorno de mercadoria;
  • elaborar roteiros inteligentes melhorando a produtividade do motorista;
  • eliminar arquivos de canhotos;
  • automatizar envio de relatórios ou informações para clientes.

 

Se o seu serviço for diferenciado, o “bom” cliente não vai se importar em pagar um pouquinho a mais, afinal o barato sai caro.

Em outras aulas deste curso, vamos falar sobre gerar confiança no cliente e o impacto positivo que isso causa na sua lucratividade.

 

Agora que você já sabe como precificar os seus serviços, está na hora de ir atrás dos clientes! 

Na próxima aula, vamos dar dicas imperdíveis de como divulgar a sua transportadora e se destacar no mercado.

Conta pra mim aqui nos comentários como  essa aula vai te ajudar e compartilhe esse conteúdo com os seus amigos, pode ser muito útil para eles também.

 

Muito obrigada e até a próxima aula!

 

Comentários